É sabido que o Trânsito é uma das problemáticas mais sérias da modernidade, sendo responsável por milhares de vítimas, entre elas mortos e incapacitados permanentes. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, o Trânsito será a terceira causa de morte no mundo no ano de 2020. É difícil identificar uma família em que não haja a ocorrência de acidentes, assim, o Trânsito cada vez mais invade nossas vidas e nos ameaça com tragédias, acidentes e mortes.
Frente a esta problemática, se apresenta uma pergunta: como mudar este quadro? Como modificar esta realidade social que cada vez mais rouba a nossa qualidade de vida?
Sem dúvida nenhuma há a necessidade de um empreendimento social em torno desta problemática, envolvendo todos os segmentos da sociedade, tais como o estado, as empresas, as famílias, as igrejas, as associações e as escolas.
A Educação é a grande alternativa para a mudança desta realidade, pois tem como objetivo "a formação de um ser humano em cidadão, dando ao indivíduo todas as regras, técnicas e habilidades para viver dentro de uma sociedade" (ROZESTRATEN,2004).
E, entrando no tema Educação, centraremos nosso interesse em torno daEscola, entendendo que ela não é a única responsável pela mudança social, porém seu papel é fundamental. Falamos aqui de uma escola realmente formadora, que transmite valores de uma maneira sadia, capaz de tornar os alunos sujeitos, utilizando uma visão humanística e voltada ao exercício da cidadania. Devemos, então encarar a escola como uma "fábrica de cidadãos".
Acreditamos que a escola deve transcender as disciplinas previstas para criar interação com o contexto social em que vivemos. É preciso caminhar na direção do ensino reflexivo, que esteja conectado com o mundo real e seja contextualizado. Isto é, a escola não pode se furtar de seu papel social mais importante possibilitar a aprendizagem para a ação no mundo, na realidade, para a mudança. A aprendizagem para a vida e para a cidadania.
E como o Trânsito se insere neste contexto? "...poucas crianças morrem por não saberem português, matemática, história ou geografia, mas é absolutamente certo que por ano, 3000 crianças morrem no trânsito por não saberem se comportar adequadamente no trânsito" (ROZESTRATEN,2004).
Transitar é conviver e o Trânsito se encontra completamente inserido em nosso dia-a-dia, obrigatoriamente. E o professor não pode ficar alheio a esta situação.
E o que ensinar na área do Trânsito? Como ensinar Trânsito? Não podemos ensinar por ensinar, mas sim, ensinar como uma preparação para a vida. É preciso que o aluno consiga mobilizar o que aprendeu em situações reais, agindo de acordo com o aprendido. Para isso é preciso que o professor conheça bem a matéria que vai ensinar, no caso, o Trânsito, para poder incluir este conteúdo em diversas disciplinas, tornando o assunto interessante e motivador. Não é necessário introduzir uma nova disciplina, já que o Trânsito é um assunto multifacetado e pode ser abordado de diversas maneiras, dentro de todas as disciplinas, como um conteúdo transversal.
É importante que a abordagem seja sempre contínua e sistemática, pois de nada adiantará promover eventos somente em determinados momentos, sem continuidade.
"É importante que o tema entre nas áreas curriculares sempre que for possível, tornando-se elemento constante de análise, reflexões e debates..." O professor deve compreender que o trânsito pode ser incluído em todas as áreas curriculares. Para tanto, precisa perceber a dimensão conceitual do tema trânsito a fim de que cometa o erro de pensar que trabalhar com trânsito significa ensinar placas de sinalização.
Encaminhando sua prática educativa nesta direção, o professor não dá respostas prontas, conduz ao pensamento; não transmite conhecimento, favorece sua construção; não rotula o aluno, procura auxiliá-lo em suas dificuldades; não se posiciona como dono do saber; troca experiências.
A educação de trânsito não é uma via de mão única. É um caminho de duas vias onde aluno e professor seguem juntos na busca de objetivos" (RODRIGUES, 1999).
É possível promover discussões, como, por exemplo, sobre os seguintes temas: segurança social como qualidade de vida coletiva, os direitos de uma circulação segura, os deveres e responsabilidades das administrações de trânsito e do cidadão, as razões dos muitos problemas interligados ao trânsito, o trânsito como espaço do encontro social, da cooperação e solidariedade, as normas para a correta ação no cotidiano das ruas, etc.
Assim, o professor deve procurar meios de interessar sua turma pelo Trânsito, utilizando os recursos disponíveis para isso. Despertado este interesse inicial, deve ser capaz de trabalhar com os alunos através de resolução de problemas e projetos, propondo tarefas complexas e desafios que incitem os alunos a mobilizar seus conhecimentos e completá-los. Possibilitar a reflexão sobre o Trânsito é educar para a cidadania, é provocar no aluno um impacto, que o leve a pensar, a tornar consciência da realidade que o espera fora da sala, nas ruas...
"Educar as crianças e os jovens para o trânsito seguro é, antes de mais nada, uma questão de querer, uma questão de ver a necessidade, de querer colaborar para que se diga um PARE à matança de crianças no trânsito, para educar o pedestre e o ciclista e, deste modo, preparar o futuro condutor para uma participação responsável ao trânsito" (ROZESTRATEN,2004).
Desta forma, a Escola cumpre seu papel social, despertando para as problemáticas do mundo e alavancando possibilidades de aprendizagem e ação no mesmo, com vistas à mudança e ao exercício da cidadania.
Cognição:
Processos mentais superiores, tais como o conhecimento, a consciência, a inteligência, o pensamento, a imaginação, a criatividade, a geração de planos e estratégias, o raciocínio, as inferências, a solução de problemas, a conceituação, a classificação e a formação de relações, a simbolização e, talvez, a fantasia e os sonhos.